A VACA ESTÁ CADA DIA MAIS PERTO DO BOI

Bom dia pecuaristas, as fazendas de cria estão mais alegres, iniciou as desmamas dos bezerros mais pesados da safra e não falta berros mais prazeroso nesse período. O preço do bezerro comparado a semanas anteriores tem se mantido estável. E não esqueça recriadores que esses bezerros do “’cedo” são de maior desempenho em sua fase de recria e engorda.

O preço do mercado do boi gordo se comportou de forma estável, no início da semana negociamos boi a R$ 297@ (prazo 30 dias). Porém a algo mudou essa semana, o preço pago pela @ de vaca tem aumentado quando comparado a semana anterior subindo em média R$ 3 por @, essa semana a novilha nelore chegou a ser comercializada a R$ 292@ (prazo de 30 dias) encurtando a cada dia a diferença do preço do boi gordo.

Mesmo com queda no mercado interno em razão das restrições impostas, o preço do boi tem se mantido em razão da constância nas exportações que iniciou de forma crescente no início do mês e principalmente a escassez de boi gordo. As escalas continuam fragilizadas, segunda feira fim da tarde, após o término de uma negociação com um grande frigorífico, a solicitação do embarque foi para o dia seguinte. O gerente da fazenda notificou o escritório pois surpreendeu com as carretas amanhecendo na fazenda para o embarque da boiada, não tendo a fazenda tempo para emissão de GTAs e notas fiscais … é isso mesmo meus amigos a engrenagem está desregulada, NÃO TEM BOI. 

Outro fato interessante ocorrido na semana foi o reagendamento do abate para 7 dias posterior de novilhas meio sangue angus, direcionados para o mercado gourmet. Esse perfil de carne necessita diretamente do funcionamento de bares e restaurantes que neste momento tem a suspensão de seu funcionamento em grande parte do país em razão do Lockdow. Os reflexos das medidas restritivas ao comércio já estão chegando de forma direta para dentro da porteira, necessitando segurar animais no cocho aumentando os custos.  

Essa semana tomei conhecimento de mais uma medida no aumento dos impostos por parte do Governo do Estado de Mato Grosso, aumentando de 7% para 12% o valor do ICMS do gado em pé e paralelo o aumento da pauta dos animais. Essas medidas, além do aumento da arrecadação possui como objetivo diminuir a saída de animais do Estado, favorecendo os frigoríficos. Diante de tantos aumentos dos insumos o produtor mais uma vez é apertado pela carga tributária tendo suas margens diminuídas e consequentemente o alimento chega mais caro na mesa da população.

Os preços dos grãos não possuem previsão de queda, o atraso na safrinha compromete a produção de grãos, muitos agricultores segurando negócios apresentando menor disponibilidades de contratos futuro. Os resíduos industriais utilizados na alimentação dos bovinos não estão abundantes e seus preços já não são como antigamente “barato”. Um alerta para instabilidade de preço com altas crescentes no preço de rações e proteinados, sugerindo negociações antecipadas de produtores junto as indústrias de rações.

Não poderia encerrar esse bate papo, sem mencionar a surpresa que tivemos diante da impunidade, onde o Ministro do Supremo Federal anulou as condenações relacionadas á Lava Jato do Ex-Presidente Lula. Que possamos unir forças para que a insegurança não volte a fazer parte da pecuária. Não tenho saudades da foto abaixo:

Amigo pecuarista espero que parte da minha rotina tenha lhe contribuído diante de seus negócios, nos encontramos no próximo fim de semana, com mais notícias dos bastidores da pecuária. Um ótimo domingo e várias @ de felicidades.

Faber Carneiro – Médico Veterinário – Gestor Técnico em Pecuária

Especialista em Sistema de Produção de Bovinos

Especialista em Reprodução de Bovinos

Mestre em Ciências Veterinária – Patologia Doutorando em Biociência Animal