Alan acusa Taques e dois empresrios de presso para barrar delao

O empresário Alan Malouf entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) gravações que comprometeriam o governador Pedro Taques (PSDB).

 

Uma das gravções teria ocorrido num edifício no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, em dezembro de 2016.

 

Além de Taques, estavam no encontro os empresários Erivelto Gasques e Juliano Bortoloto, da empresa Todimo.

 

A reunião teria ocorrido numa madrugada, dias após a divulgação da delação premiada do empresário Giovani Guizardi, um dos operadores do esquema de fraudes na Secretaria de Educação, investigado na “Operação Rêmora”.

 

Na ocasião, Guizardi revelou que Malouf era um dos líderes do esquema e ficava com 25% da propina arrecada junto a empresários que executavam obras na Seduc. 

 

A reunião de urgência teria ocorrido após informações de que um mandado de prisão contra o empresário estava na iminência de sair. As imagens do circuito interno de segurança da residência mostram a chegada do governador e dos empresários.

 

Malouf contou à PGR o teor da reunião. Segundo ele, o grupo tentou convencê-lo a não colaborar com as investigações, ou ocultar a participação do governador sobre o conhecimento do esquema.

 

Eles teriam feito promessas ao empresário. Uma delas é de que articulariam para que, caso saísse o mandado prisional, o empresário ficasse poucos dias detido.

 

De fato, Alan Malouf foi preso dias após a reunião, no dia 14 de dezembro de 2016 por decisão da então titular da 7ª Vara Criminal, Selma Rosane Santos Arruda. Ele ficou 10 dias na sede da Bope, até ser solto no plantão judiciário, pela juíza Maria Rosi de Meira Borba.

 

Porém, desde seu primeiro depoimento após a prisão, o empresário relatou que o governador tinha conhecimento das fraudes. Segundo ele, o esquema montado na Secretaria de Educação tinha objetivo de “recuperar” o dinheiro investido por ele na campanha de Taques a título de “caixa 2”.

 

Por sua participação nas fraudes, Alan Malouf foi condenado a mais de 11 anos de prisão. Ele recorreu da sentença junto ao Tribunal de Justiça e também firmou colaboração premiada junto a PGR, já homologada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Melo.

 

Na última segunda-feira, o ministro determinou a retirada do sigilo da delação. A decisão atende um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo o órgão, não há mais interesse em manter o caso sob sigilo em razão de trechos dos depoimentos de colaboração premiada terem sido utilizados em reportagens de veículos de comunicação – inclusive de abrangência nacional, como a Folha de São Paulo.