Bala perdida mata mulher almoçando dentro de casa

A história de três mães na luta para proteger os filhos revelaram, em menos de 24 horas, tristes realidades da vida na Região Metropolitana do Rio: a rotina de violência e da falência do sistema público de saúde.

a manhã desta quinta-feira (7), uma mulher chorava a falta de medicamento que pode matar o filho, para quem ela já doou o próprio rim. Outra mãe morreu ao infartar vendo o corpo do filho, executado pouco antes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na quarta (6), uma mulher também morreu, atingida por uma bala perdida enquanto preparava o almoço para as duas filhas, dentro de casa, no Morro da Coroa.

A vítima do tiro sem rumo foi Alessandra dos Santos Soares, de 27 anos. Gravemente ferida, ainda teve a preocupação de proteger uma das meninas, de 3 anos. “Ela ainda deu umas últimas palavras. Meu irmão perguntou: ‘Esse tiro pegou em você?’. Ela disse que sim. E falou assim: ‘Tira minha filha daqui'”, contou, muito emocionada, a cunhada Maria Alves.

A casa da família fica perto de uma praça conhecida como Amor de Mãe, na parte alta do Morro da Coroa. Alessandra ainda estava amamentando a filha mais nova, recém-nascida. Apesar do esforço de proteção de Alessandra, a mais velha está traumatizada. “Ontem, eu fiquei com a filhinha de 3 anos. Ela não conseguia dormir. ‘Cadê a minha mãe?’ Quatro horas da manhã acordada porque viu o fato que ocorreu”, contou a cunhada.

Alessandra trabalhava como auxiliar de limpeza. Estava de licença-maternidade e tinha acabado de tirar férias para continuar cuidando da bebê. A comunidade é uma das dezenas que convivem com tiroteios. Moradores contaram ao G1 que Alessandra foi baleada quando traficantes dispararam contra policiais do Batalhão de Choque. A PM não confirmou que militares da unidade estavam na comunidade. A Divisão de Homicídios investiga o caso. “Quem for tem que pagar. De onde partiu aquele tiro que destruiu a vida dela, do meu irmão e da nossa família? Peço ao estado: clemência. Não abandone a população. Ajude a encontrar o assassino que matou minha cunhada”, cobra a cunhada.

Por G1