Chegada de Messi deve valorizar Paris Saint-Germain e o futebol francês

A contratação de Lionel Messi, evidentemente, vai causar impacto no orçamento do Paris Saint-Germain e levanta questões como Fair Play financeiro, até porque esse foi o motivo que tirou o argentino do Barcelona. Para entender o que representa um negócio dessa magnitude, o Estadão conversou com especialistas, que explicam como o clube deve se portar diante da maior contratação da história da instituição.


Para Pedro Daniel, executivo da EY, é preciso considerar receitas diretas e indiretas que o PSG terá após a chegada de Messi. A primeira é relacionada à visibilidade e aos patrocínios que os franceses ganham. Com o clube sendo mais atrativo para investidores, questões como a reputação da instituição na Europa e o gerenciamento dos “jogadores-estrela” são exemplos de rendas indiretas que o sheik Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, terá que considerar para tornar o projeto bem-sucedido.

Eduardo Carlezzo, sócio-fundador do Carlezzo Advogados, considera a permanência de Mbappé como ponto-chave para o prosseguimento dos objetivos do PSG. Quando perguntado sobre o custo-benefício da contratação de Messi, ele afirmou que, apesar dos gastos, a contratação de uma estrela sempre traz benefícios para o clube.

Mas será que o Paris Saint-Germain está preparado para contar com um atleta da magnitude do ex-Barcelona? Pedro Trengouse, especialista em gestão esportiva da FGV, opina que sim. “O PSG é hoje um dos clubes mais bem estruturados do mundo. É literalmente um ‘clube-estado’, que tem todos os recursos necessários para lidar com o time de craques que montou”, disse.

Outro aspecto que deve ser levado em conta é a imagem de Messi. O agora camisa 30 do time francês é conhecido por ser tímido e não dar muitas entrevistas. Amir Somoggi, um dos maiores especialistas brasileiros em marketing e gestão esportiva, fez estudos voltados para o meio digital que mostrou que a maior força do argentino está em notícias relacionadas à sua performance.

Seu engajamento na internet vem das vitórias que conquista. Por isso, estão sendo feitas comparações sobre o impacto comercial que o astro de 34 anos pode atingir se comparado com Cristiano Ronaldo, que se transferiu do Real Madrid para a Juventus em 2018.

Somoggi acredita que Messi não tem o carisma e o impacto fora do campo de Neymar e Cristiano Ronaldo. Tudo vai depender do comportamento do argentino, segundo ele. Neymar conseguiu expandir a marca PSG para o exterior, atraindo novos torcedores. Se Messi fará o mesmo, ainda é incerto na sua opinião.

O PSG certamente espera que o craque aumente a renda do clube nas bilheterias, venda muitas camisas e atraia novos seguidores para as redes sociais. O Campeonato Francês, competição que está em momento de desvalorização, deve se beneficiar enormemente da presença do argentino e vender direitos de TV para vários centros ao redor do mundo.

Não há risco de Messi causar impacto financeiro negativo ao PSG, até porque dinheiro não é problema para Nasser Al-Khelaifi, que, segundo dados de fevereiro de 2016 dispunha, na época, de uma fortuna especulada em US$ 256 bilhões (aproximadamente R$ 1,35 trilhão).

“O PSG tem recursos de sobra à disposição. O desafio é enquadrar no Fair Play financeiro. Comparando com o Brasil, enquanto aqui o problema é falta de dinheiro, lá o caso é o contrário, sobra tanto dinheiro que precisa limitar os gastos”, disse Trengouse.

Somoggi reconhece que o déficit da última temporada e a folha salarial “inchada” dos franceses é um problema, mas que o clube não poderia deixar passar a oportunidade de contratar Messi. “É uma oportunidade única, ter um jogador desse sem pagar nada que não seja apenas os salários.”