Comissão de Saúde cobra explicações do governo sobre enfrentamento ao coronavírus

Da Redação

A falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de outros equipamentos necessários para atendimento de pacientes graves de coronavírus (covid-19) em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e a dificuldade de admissão de pacientes suspeitos em hospitais de referência são alguns dos principais problemas enfrentados pelo governo do estado para enfrentamento da doença.

As informações foram apresentadas por representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), durante reunião extraordinária da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, realizada na manhã desta terça-feira (14).

Questionada pelos deputados que compõem a comissão sobre a estrutura do Estado para combate ao novo coronavírus, a secretária executiva de Saúde, Danielle Carmona Bertucin, disse que muitas unidades hospitalares possuem leitos de UTI disponíveis, porém não contam com os equipamentos necessários para atendimento dos pacientes, como respiradores. É o caso, por exemplo, do Hospital Júlio Müller e do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá.

Outro problema relatado foi a dificuldade de admissão de pacientes suspeitos em hospitais de referência. Conforme a secretária-adjunta de Regulação, Controle e Avaliação, Fabiana Bardi, com exceção da Santa Casa, os hospitais só estão aceitando receber pacientes cuja contaminação pela doença tenha sido confirmada. “O problema estão sendo os casos graves. Não conseguimos dar vazão a esses pacientes. Estamos fazendo reuniões para tentar otimizar e definir esse fluxo e a cada semana o cenário muda”, disse.

Em resposta aos questionamentos apresentados pelo deputado Lúdio Cabral (PT),referentes à quantidade de testes disponíveis no estado e aos critérios adotados para realização dos mesmos, o secretário-adjunto de Atenção e Vigilância em Saúde, Juliano Silva Melo, informou que eles estão sendo aplicados levando-se em consideração a realidade de cada município.

Segundo o secretário-adjunto, em municípios onde há casos confirmados estão sendo testados pacientes internados que apresentam quadros sugestivos. “Nestes casos, são testados todos os que tiveram contato som o suspeito, inclusive assintomáticos. Mas se os casos aumentarem muito não vamos ter condições de fazer isso”, frisou.

Juliano informou ainda que o Ministério da Saúde envia uma média de 100 testes por semana para o estado e que essa quantidade é insuficiente para testar até mesmo os pacientes internados. “Então o Estado comprou 10 mil testes e é o que está segurando esse período. Estamos fechando escala de como vamos testar profissionais que estão na linha de frente em municípios que têm transmissão comunitária”, complementou.

Em relação aos testes rápidos, o secretário-adjunto contou que o Estado recebeu aproximadamente 7,2 mil na semana passada e que ainda serão definidos os critérios para distribuição dos mesmos.

Atendimentos no interior – A vice-presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Mato Grosso, Maria das Graças dos Santos Mendes, expôs a preocupação em relação à falta de leitos em municípios do interior e à estratégia adotada para atendimentos desses pacientes.

“Gostaríamos de ter esse desenho, de saber como será o fluxo dessas regiões que não têm hospitais para que possamos tranquilizar nossos secretários de saúde municipais”, salientou.

A preocupação também foi apresentada pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (PSB), e pelo vice-presidente, Doutor João (MDB), que representam as regiões do Araguaia e de Tangará da Serra, respectivamente, sendo reforçada pelo representante de São José dos Quatro Marcos, deputado Dr. Gimenez (PV).

Sobre o assunto, a secretária-adjunta Fabiana Bardi afirmou que já há alguns leitos disponíveis nos municípios de Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Alta Floresta e que o governo do estado realizará reuniões diárias por meio de videoconferência com todas as regionais de saúde, com o objetivo de encontrar uma solução para o problema.

Militarização do Samu – Os deputados Paulo Araújo (PP), Dr. Eugênio (PSB) e Lúdio Cabral (PT) se manifestaram contra o Decreto nº 450 do Governo do Estado, que determina o retorno da gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso.

“É um grande erro estratégico de gestão militarizar o Samu. Gostaria de pedir que levassem em consideração e sustassem o decreto para fazer uma discussão mais aprofundada. Essa discussão aconteceu há muitos anos e foi superada no Brasil. O Samu deve ser integrado ao processo regulador e não aparteado. Vamos dar um tiro no pé no que pode ser a maior ferramenta de trabalho dentro do processo de regulação”, ressaltou Paulo Araújo.

Lúdio Cabral afirmou que o decreto é “absolutamente inoportuno” e contém erros e ilegalidades. “O Corpo de Bombeiros é uma instituição qualificada para atuar em apoio a situações de urgência e emergência, tem condições de contribuir com o funcionamento do Samu, mas não tem sentido a decisão de transferir a gestão para eles, pois essa é uma atribuição do SUS”, argumentou.

Denúncia – O deputado Ulysses Moraes (PSL) compareceu à reunião para relatar à comissão que foi impedido de entrar no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) nesta segunda-feira (13), onde buscava verificar uma denúncia de que profissionais da saúde estariam há quase quatro meses sem receber. O parlamentar entregou um documento registrando o ocorrido e pediu que a comissão se manifeste para que fatos semelhantes não voltem a ocorrer.

O deputado Dr. Eugênio garantiu que a comissão cobrará explicações formais por parte da administração da unidade. “Não podemos abrir mão da nossa prerrogativa de fiscalizar. Sabemos que estamos em um período difícil, mas temos que fazer de tudo para que esses percalços não aconteçam”, pontuou.

Projetos de Lei – Foram aprovados os pareceres favoráveis aos Projetos de Lei nº 1283/19, 1296/19, 31/2020, 34/2020, 39/2020, 58/2020, 87/2020, 89/2020, 91/2020, 158/2020, 163/2020, 164/2020, 165/2020, 174/2020, 300/2020 e 301/2020.