Deputado federal eleito em MT é suspeito de abuso de poder econômico na campanha eleitoral.

O deputado federal eleito em Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura, Neri Geller, deve ser investigado por abuso de poder econômico nas eleições gerais de 2018. O pedido de investigação foi feito pelo Ministério Público Eleitoral.

Geller chegou a ser preso em novembro deste ano em um hotel de Rondonópolis, durante a Operação Capitu, que investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele foi solto três dias depois.

Também foi requerida a quebra de sigilo fiscal e bancário do candidato eleito. Geller também teve as contas de campanha desaprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral em Mato Grosso (TRE/MT).

De acordo com o parecer técnico conclusivo da Justiça Eleitoral, Neri Geller apresentou a prestação de contas relativas às eleições de 2018 com irregularidades, além de ter efetuado um alto volume de doações a outros candidatos, excedendo o limite de gastos em R$ 854 mil.

O parecer técnico aponta que Geller declarou como despesas de campanha o valor de R$ 2,4 milhões, o que por si só excederia o limite de gastos de campanha para deputado federal, fixado em R$ 2 milhões. Dentre os gastos declarados, R$ 385 mil foram doações realizadas para seis candidatos, utilizando-se a conta bancária da campanha, dentro da sistemática prevista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TST).

Também foi constatado que outros seis candidatos receberam doações de campanha, num total de R$ 942 mil, da pessoa física de Neri Geller. Ocorre que as doações a outros candidatos, além de compor o limite de gastos de campanha, também configuram despesas de campanha eleitoral, o que significa que deveriam, necessariamente, constar nas contas de campanha.

Foram constatadas pelo MP nas contas de 11 candidatos a deputado estadual doações que somam R$ 1,3 milhão em nome de Neri Geller.

Dos 11 candidatos, sete receberam “robustas” contribuições em valores iguais ou superiores a R$ 100 mil. Além disso, os quatro candidatos eleitos foram os maiores beneficiários, cuja média de doações recebidas foi de R$ 180 mil, sendo que para três, Geller figura como a maior fonte de receita eleitoral.