Funcionários de hospital não atendem pacientes

Pacientes que foram à emergência do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na madrugada desta sexta-feira, tiveram que voltar para casa sem atendimento. Isso porque, de acordo com eles, os funcionários da unidade se negam a atender pessoas que não estiveram em estado de saúde considerado grave porque estariam sem receber salários.

O instalador de blindex Sidnei Ramos, de 38 anos, chegou ao Albert Schweitzer por volta da 1h40 da madrugada desta sexta para ser atendido de dores nas costas. Teve que voltar para casa sem uma consulta. Segundo ele, os funcionários da unidade disseram que não há ortopedista por falta de pagamento.

O marceneiro Celio Luiz Camilo, de 53 anos, chegou por volta das 18h ao Albert, também com muitas dores nas costas. Ele foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, Celio só começou a ser atendido por volta da 1h desta sexta-feira, quando a imprensa chegou ao local.

Segundo a mulher dele, a assistente administrativa Ruth de Souza, de 40 anos, ao chegarem na unidade, no começo da noite desta quinta, os funcionários disseram que não podiam atender Celio e que ele deveria ser levado para outro hospital.

– Agora que vocês (imprensa) chegaram, me chamaram e disseram que vão fazer hemograma e ultrassonografia do abdômen. Mas, mesmo assim, a médica disse que vai demorar muito para sair o resultado. – completou Ruth.

A estudante Kethelen Karoline Manhães Quefes, de 17 anos, conseguiu ser atendida após uma longa espera. Grávida de 13 semanas, ela chegou ao hospital às 15h desta quinta-feira com muitas dores abdominais. Conseguiu fazer um exame de sangue às 20h, cinco horas depois. O resultado só saiu por volta das 2h:

– Estou com infecção urinária e cheguei com muitas dores no hospital. Fiquei esperando muito tempo para fazer o exame. E agora que saiu o resultado, eles disseram que não é nada. Só me passaram um remédio para dor. Vi muitas pessoas que chegaram aqui e voltaram sem serem atendidas. Os funcionários do hospital disseram que só vão atender em caso de vida ou morte, porque estão sem receber o pagamento – afirmou Kethelen.

PROBLEMA RECORRENTE

Na madrugada do último dia 13, a falta de maqueiros na unidade foi superada pela solidariedade. Familiares e amigos de pacientes ajudaram a levá-los para dentro do hospital. A redução do número de funcionários naquele dia devido ao atraso de três meses no pagamento. O Albert Schweitzer é administrado pela Organização Social Cruz Vermelha do Rio Grande do Sul.

Na ocasião a Secretaría Municipal de Saúde emitiu a seguinte nota:

“O Hospital Municipal Albert Schweitzer (HMAS) é uma unidade de urgência e emergência que funciona de porta aberta e não recusa pacientes que necessitem de assistência. Em virtude disso, podem, em algumas ocasiões, funcionar acima de sua capacidade ideal, dificultando o acolhimento e transportes dos pacientes. Não procede a informação sobre falta de maqueiros.

O plantão diurno de hoje (13) conta com ortopedistas e com maqueiros. Vale esclarecer também que, das 11h às 14h, a unidade realizou 58 atendimentos na emergência. Portanto, não procede a informação de restrição no atendimento neste período. No entanto, casos mais graves têm prioridade.

A Secretaria Municipal de Saúde conta com quatro pontos de referência para emergências neurocirúrgicas. Um que atende ao Centro e Grande Tijuca, no Hospital Municipal Souza Aguiar; um que atende à Zona Sul e região da Barra da Tijuca, no Hospital Municipal Miguel Couto; outro que atende à Zona Norte, no Hospital Municipal Salgado FIlho; e outro que atende na Zona Oeste, no Hospital Municipal Pedro II. Entretanto todos os hospitais de urgência e emergência estão aparelhados para estabilizar os pacientes e realizar os exames necessários. Em caso de paciente grave, a unidade hospitalar irá transferir com prioridade o paciente via Central de Regulação para as unidades de referência na especialidade na rede.

A SMS informa que não há como responder sobre pacientes desconhecidos em unidades não informadas com diagnósticos ignorados pela demanda do jornal e solicita que envie mais informações sobre o caso, como a identificação do paciente, para que seja mais específica a apuração da situação.

Sobre a questão dos pagamentos, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa ainda que já liquidou os processos de pagamento das organizações sociais e demais prestadores de serviços e que os repasses dependem de disponibilidade de caixa do Tesouro Municipal.

Não há orientação da SMS para restrição ou suspensão de quaisquer serviços e as Organizações Sociais gestoras de unidades de saúde foram notificadas de que não está autorizado o fechamento de unidades ou suspensão/restrição de serviços”.

Por EXTRA