Guilherme Paraense é homenageado pelo centenário da conquista do primeiro ouro olímpico do Brasil

Há 100 anos, nos Jogos da Antuérpia, na Bélgica, o Brasil participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos. Com uma delegação formada por 21 atletas, que competiram em provas de natação, polo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro esportivo, a campanha brasileira foi marcada por três medalhas: uma de ouro, uma de prata e uma de bronze, todas conquistadas no tiro esportivo. 

O tenente do Exército Guilherme Paraense protagonizou o maior feito da participação brasileira na Antuérpia. No tiro rápido, conquistou a primeira medalha de ouro do país. Afrânio da Costa subiu ao pódio com a prata na pistola livre individual e o Brasil ainda conquistou o bronze na pistola livre por equipes, com Guilherme Paraense, Afrânio da Costa, Sebastião Wolf, Fernando Soledade e Dario Barbosa. 

Bruno Souza (à direita), o ministro Fernando Azevedo e Fabíola Molina descerram o busto de Guilherme Paraense. Foto: Ministério da Defesa

Guilherme Paraense é uma inspiração e um exemplo para todos os atletas do Brasil. Homenagens como essa são importantíssimas, ainda mais em um ano tão marcante como 2020, que marca o centenário da conquista de nossas primeiras medalhas olímpicas e, principalmente, de nosso primeiro ouro olímpico”

Bruno Souza, secretário nacional de Esportes de Alto Rendimento

Para celebrar a memória de nossos primeiros medalhistas olímpicos, a edição 2020 do Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo – disputada neste fim de semana no Centro Militar de Tiro Esportivo, em Deodoro, no Rio de Janeiro – foi marcada por uma série de homenagens especiais. 

O evento contou com a participação, no sábado (12.12), do ministro da Defesa, Fernando Azevedo; do secretário nacional de Esportes de Alto Rendimento da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Bruno Souza; da secretária nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Fabíola Molina; ambos representando o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni; e do vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marco La Porta. 

Primeiro campeão olímpico do Brasil, Guilherme Paraense ganhou um busto que ficará exposto no Centro Nacional de Tiro Esportivo. A escultura foi descerrada por Fernando Azevedo, Bruno Souza e Fabíola Molina. 

Além disso, foram lançados um selo e uma moeda comemorativos pelo centenário da conquista. O ato contou com a presença do superintendente regional dos Correios, Arnaldo Luiz Peres Marques. Já o Presidente da Casa da Moeda, Hugo Cavalcante Nogueira, fez a descaracterização do par de cunhos originais da medalha. Esse ato simbólico assegura tiragem limitada da moeda, valorizando a peça entre colecionadores. 

O Brasileiro de 2020 também contou com uma prova especial. Os atletas tiveram a experiência de repetir, em detalhes, as condições e regras da prova em 1920. A prova comemorativa teve o alvo a uma distância de 30 metros, onde foram disparados cinco séries de seis tiros, totalizando 30 tiros de prova. Cerca de 130 atletas se arriscaram a repetir a atuação de Guilherme Paraense, que chegou ao ouro na Antuérpia após somar 274 pontos. 

Fernando Azevedo enfatizou que Guilherme Paraense “é um ícone do esporte olímpico do Brasil e deixou como legado um exemplo de superação que inspirou as gerações seguintes”. O ministro da Defesa ressaltou que tornar-se um medalhista olímpico é uma missão que exige altíssimo grau de comprometimento. 

“Para ser um atleta olímpico e conquistar uma medalha olímpica é necessário percorrer um caminho árduo, revestido de esforço, dedicação e superação. Por isso, celebramos o centenário da conquista da primeira medalha de ouro olímpica do Brasil. O feito do nosso Tenente Guilherme Paraense e da equipe brasileira nos Jogos de 1920 nos dá orgulho”. 

O ministro ainda citou o Ministério da Cidadania, principal parceiro do Ministério da Defesa na promoção e sustentação do Programa de Atletas de Alto Rendimento. “Os resultados inéditos dos atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos de 2016 confirmam o acerto deste esforço no suporte aos nossos atletas”. 

Foto: Carol Bittencourt/CBTE

Mais homenagens 

Para Bruno Souza, os integrantes da delegação do Brasil que disputaram os Jogos Olímpicos da Antuérpia em 1920 estavam à frente de seu tempo. “Eram visionários que entendiam a importância dos Jogos Olímpicos e, principalmente, a importância de o Brasil estar bem representado no maior evento esportivo do planeta”. 

O secretário fez um retrospecto da participação brasileira nos Jogos Olímpicos e ressaltou como os investimentos do Governo Federal no esporte nas últimas décadas foram cruciais para o avanço no desempenho que o país teve nas Olimpíadas nas últimas décadas. 

“Essas três medalhas no tiro esportivo marcaram o início das conquistas do Brasil em Jogos Olímpicos. E se hoje nosso país soma 129 pódios, com 30 ouros, 36 pratas e 63 bronzes, é porque lá atrás, há 100 anos, Afrânio da Costa, Dario Barbosa, Fernando Soledade, Guilherme Paraense e Sebastião Wolf mostraram ao país que era possível para o Brasil obter destaque nos Jogos”, frisou Bruno Souza. 

“A partir da década de 1990, os investimentos federais no esporte permitiram que o Brasil desse um salto qualitativo nos Jogos Olímpicos. Hoje, nosso país conta com programas federais bem estruturados, como a Lei das Loterias e a Lei de Incentivo ao Esporte. O Bolsa Atleta, maior ação de patrocínio direto ao atleta do mundo, hoje beneficia 6.357 esportistas, entre olímpicos e paralímpicos, além de outros 274 na categoria Pódio, a principal do programa. O investimento anual no programa como um todo supera os R$ 120 milhões”, continuou. 

Nas primeiras 16 edições das Olimpíadas disputadas pelo Brasil, entre 1920 e 1992, o país conquistou 39 medalhas. Foram nove de ouro, 10 de prata e 20 de bronze, numa média de 2,4 medalhas por edição dos Jogos. Nas últimas seis edições, entre 1996 e 2016, o Brasil faturou 90 medalhas. Foram 21 ouros, 26 pratas e 43 bronzes. “Passamos de uma média de 2,4 medalhas por edição para 15 medalhas em média nas últimas seis Olimpíadas”, lembrou o secretário de Esporte de Alto Rendimento do Ministério da Cidadania. 

O evento no Centro Militar de Tiro Esportivo ainda contou com outras homenagens a atletas brasileiros que brilharam nas Olimpíadas. Representando os homens que defenderam o Brasil nos Jogos, o primeiro bicampeão olímpico do Brasil, o saltador Adhemar Ferreira da Silva, que faleceu em 2001, foi homenageado postumamente com a Cruz do Mérito Desportivo, concedida pela Secretaria Especial de Esporte do Ministério da Cidadania. A honraria foi recebida por sua filha, Adyel Santos Ferreira da Silva. 

Já para representar as mulheres que disputaram as Olimpíadas pelo Brasil, a ex-jogadora de vôlei de praia Sandra Pires, que em 1996, nos Jogos de Atlanta (EUA), entrou para a história ao lado de Jacqueline Silva como as primeiras campeãs olímpicas do Brasil, recebeu a Cruz do Mérito Desportivo das mãos do secretário Bruno Souza. 

A solenidade de celebração do centenário foi organizada pela Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto e também pelo Departamento de Desporto Militar, ambos do Ministério da Defesa. O evento contou com a parceria do Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Especial de Esportes. 

Moeda comemorativa 

Produzida pela Casa da Moeda do Brasil, a peça lançada neste fim de semana registra e eterniza em metais nobres a importância da conquista histórica de Guilherme Paraense. 

Projetada por Juliana Souza e Millie Britto, designers da Casa da Moeda do Brasil, a homenagem destaca, no anverso, um alvo, elemento característico da modalidade cuja medalha de ouro foi conquistada pelo Brasil. Envolvendo o alvo há dois ramos de louro em alusão à vitória e a 2020, ano do centenário. Na parte superior, a legenda faz alusão à efeméride. 

No reverso, a medalha traz a estilização de mira de arma de fogo. Ao redor, na parte superior, está o nome do atleta Guilherme Paraense. Na parte inferior, está a modalidade – Tiro Esportivo e o ano da conquista da medalha de ouro: 1920. 

No site do Clube da Casa da Moeda do Brasil (www.clubedamedalha.com.br), foram disponibilizados 100 exemplares da medalha alusiva para comercialização da população. 

Selo 

O selo comemorativo, com formato circular e na cor dourada, simboliza a primeira medalha de ouro do Brasil em Jogos Olímpicos, conquistada na categoria “pistola rápida”. 

Na parte superior está o título da emissão. No centro está ilustrado o alvo do tiro esportivo, formado por dez aros, com o número 10 no miolo, representando o ponto mais preciso e almejado pelos competidores. O alvo também está ladeado por folhas de louro, emblemas de triunfo, usadas desde os primeiros jogos olímpicos na Grécia Antiga para simbolizar a vitória. A técnica usada foi ilustração digital. 

“Sempre importante cultivarmos a nossa memória olímpica. O evento promovido pelo Ministério da Defesa, pela Secretaria Especial do Esporte e pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, com apoio do Comitê Olímpico do Brasil, foi muito bem organizado, rodeado de sucesso e, com isso, conseguimos homenagear de uma maneira muito significativa nossos primeiros medalhistas, que precisam sempre ser lembrados e servir de inspiração pra nossos atuais e futuros atletas”, destacou o vice-presidente do COB, Marco La Porta.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania, com informações do Ministério da Defesa e do Comitê Olímpico do Brasil