Infocafé – 09/11

A bolsa de N.Y. finalizou a segunda-feira com leve baixa, a posição dezembro oscilou entre a máxima de +2,40 pontos e mínima de -0,60 fechando com -0,10 pts.

O dólar teve um dia de volatilidade e fechou estável (recuo de 0,08%), cotado a R$ 5,3877.

O Brasil está aumentando seu controle sobre o mercado global de café arábica, à medida que grãos provenientes do país ingressam em armazéns da bolsa ICE Futures, em movimento que pode afastar pequenos produtores do mercado e pressionar os valores de referência da commodity. Há muito tempo o maior produtor global de café é capaz de fornecer grandes volumes a preços acessíveis para os mercados, já que a colheita mecanizada e métodos de processamento mais baratos mantêm seus custos de produção abaixo dos de seus rivais. Conforme a produção de café cresce, o Brasil também aumenta a produção de arábica de maior qualidade, e agora, pela primeira vez, está enviando seu excedente de grãos para os mercados futuros de Nova York em volumes significativos. Dados mostram que a quantidade de café brasileiro em armazéns da ICE e disponível para entrega frente aos contratos futuros da commodity disparou para 88.294 sacas, ante 650 sacas em 3 de setembro, ajudando a afastar os estoques totais das mínimas de 20 anos registradas recentemente, quando atingiram a marca de 1,1 milhão de sacas. O movimento representa uma ameaça para rivais, especialmente nas Américas Central e do Sul, já que pode pressionar ainda mais o valor de referência do café arábica na ICE, que tocou mínimas de quase 14 anos em 2019 e continua abaixo dos custos de produção de diversos cafeicultores de pequeno porte. Os futuros na ICE costumam cair quando o volume dos estoques que os referenciam cresce, embora somente a possibilidade de operadores dos mercados futuros receberem café do Brasil –menos procurado do que os grãos da América Central– também possa derrubá-los. E o fluxo do café brasileiro até agora é, provavelmente, apenas a ponta do iceberg. Operadores esperam que até 400 mil sacas sejam entregues nos próximos meses, a primeira grande chegada desde que a ICE alterou, em 2013, suas regras para permitir que o café premium “semi-lavado” do Brasil pudesse ser entregue contra os futuros de arábica “lavado” de alta qualidade. Nos próximos anos, um volume ainda maior poderá ser entregue. O café lavado, que envolve a extração do fruto com água antes da secagem dos grãos, tem custo de produção mais elevado e demanda preços mais altos. O Brasil produz principalmente os “naturais”, de qualidade inferior, em que as cerejas são secas antes da extração, mas uma safra de maior qualidade neste ano permitiu o aumento da produção de grãos “semi-lavados”, em um processo com menos etapas que o do café totalmente lavado, mas que ainda assim resulta em boa qualidade. “Se as condições atuais do mercado voltarem a emergir, os `semis` do Brasil voltarão a ser entregues”, disse Vivek Verma, CEO da Olam Coffee, parte da Olam, uma das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo. “Alguns produtores de lavados teriam que abandonar totalmente o café, o que seria uma tragédia”, acrescentou.

Fonte: Mellão Martini