Integração Lavoura-Pecuária apresenta resultados na intensificação dos sistemas de produção

Painel online da Federarroz debateu o assunto com dicas e exemplos de especialistas e produtores

A Integração Lavoura-Pecuária foi o tema do segundo painel realizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), ocorreu na manhã desta quinta-feira, 11 de março, via internet. O assunto “Intensificação da Pecuária à Pasto – Importância para a sustentabilidade da produção de grãos em terras baixas”, também estava previsto para a Abertura da Colheita do Arroz, mas teve que ser adiado devido aos problemas climáticos no dia do evento.

Em sua abertura, o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, lembrou da proposição deste tema fundamental para os novos rumos do sistema de produção. “Temos uma ideia de cada vez mais de ter um sistema de produção. Os benefícios deste sistema são inegáveis para controle do solo, adubação do sistema, aumento de produtividade e diminuição dos custos”, observou.

Mediador do debate, o engenheiro agrônomo e diretor agrícola da Granja 4 Irmãos, Jorge de Barros Iglesias, informou que dentro da empresa o sistema com esta intensificação da pecuária à pasto é recente e vem trazendo resultados animadores. “A primeira coisa que tem que se fazer é ter um planejamento desta propriedade de pelo menos três anos para frente. Se a pessoa não tiver um bom planejamento da sua lavoura, da sua pecuária, os planos vão por água abaixo”, salientou.

O primeiro painelista do evento, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Danilo Menezes Sant’Anna, afirmou que a empresa vem trabalhando para mostrar a importância da pecuária nos diferentes sistemas de produção. Disse que é preciso pensar se está sendo feita apenas uma diversificação colocando mais um produto na cesta da propriedade ou trazendo mais um benefício. “Os sistemas integrados envolvem planejamento forrageiro, pensar em sistemas não somente com pastagens de inverno, mas também de verão”,salientou, colocando que a pecuária pode e deve ser intensificada.

Segundo Sant’Anna, o impacto principal da intensificação com a pecuária vai muito além da simples diversificação de produtos. “Ela traz melhoria na recuperação dos solos, acumulando biomassa vegetal, matéria orgânica, retenção de nutrientes e diminuindo a dependência de adubos”, observou, destacando que a Embrapa vem buscando o pasto 365 dias por ano com mais tempo de plantas vivas crescendo e pastadas. “É importante pensar e construir solo e a pecuária é um dos componentes do sistema extremamente importante nessa finalidade, concluiu.

Na sequência, ocorreu a apresentação do engenheiro agrônomo da Porteira Adentro Consultoria Agropecuária, Paulo Azevedo Osório. O especialista trouxe uma visão da lavoura, dificuldades e os benefícios que a intensificação traz. Em um breve histórico, trouxe as evoluções de sistemas que aumentaram a produtividade da cultura do arroz. “A entrada do Projeto 10 do Irga e do Sistema Clearfield começou a aumentar entre 30% e 40% a produtividade. A rotação com a soja trouxe novo incremento de produtividade. A intensificação da Integração Lavoura-Pecuária será o terceiro passo para o aumento desta produtividade e já vemos resultados nas lavouras”, salientou.

Osório reforçou a importância da cobertura do solo no inverno, com o sistema do plantio direto como base para a evolução da área. “O solo tem que estar sempre coberto no inverno. Estamos em plena colheita e é importante a conscientização do produtor de colher a colheita no seco para poder fazer o implemento das culturas para o inverno. Quando tem gado ajuda a grudar a palha no chão e melhorar a implementação da cultura do inverno”, relatou.

Entre os manejos citados pelo especialista, estão a ciclagem de nutrientes, onde esse adubo será transformado em palha e carne no inverno e o solo chegará melhor estruturado para o verão, além da estrutura do solo, controle de plantas daninhas, degradação de herbicidas e condições de plantabilidade. Também ressaltou o parcelamento da adubação, onde indicou a aplicação de 50% do fósforo na cultura de inverno e 60% no verão. Isso traz mais estabilidade de estabelecimento da cobertura, potencializa a produção de massa e carne, correção de nutrientes em taxa variável, maior rendimento na semeadura e maior eficiência no uso do fertilizante”, frisou.

O último painelista foi o sócio proprietário da Estância Tamanca, Luciano Sperotto Terra, que falou sobre as  vantagens que a lavoura traz para a pecuária e mostrou os indicadores da propriedade nos períodos de 1999/2000 e 2000/2021. Afirmou que quando a lavoura entra em uma estância de pecuária ocorre um incremento de máquinas mais modernas  e maiores, além da mão de obra se tornar muito mais qualificada. Terra destacou, ainda, como outro fator importante da lavoura a entrega de uma parcela de área para a implantação das pastagens que duram mais por estarem limpas e corrigidas. “No caso da Tamanca, nas áreas de várzea, foi muito importante a chegada da soja entre as duas áreas de arroz, melhorando uma macro drenagem”, contou, destacando que quando a lavoura entra o real benefício para a pecuária é o crescimento nos números.

Por Redação