Mendes: Criar novos impostos no ser primeira alternativa

Eleito para governar Mato Grosso pelos próximos quatro anos, o ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (DEM) afirmou que a criação de novos impostos no Estado ou a taxação do agronegócio não estão entre as medidas prioritárias de sua gestão.

Mendes admite que enfrentará dificuldades a frente do caixa do Estado, especialmente por conta do desequilíbrio entre receitas e despesas.

Segundo cálculos da atual gestão, a cada R$ 100 arrecadados, apenas R$ 1 está disponível para investimentos.

Vamos ter que ser muito eficientes na arrecadação, criar oportunidades para que a economia cresça e, com isso, conseguirmos o crescimento da arrecadação

“Criar novos impostos aqui no Estado de Mato Grosso, não vejo a menor possibilidade disso no curto prazo. Ninguém aguenta mais tanto imposto nesse País e nesse Estado. Vamos ter que ser muito eficientes na arrecadação, criar oportunidades para que a economia cresça e, com isso, conseguirmos o crescimento da arrecadação”, disse Mendes, em entrevista ao MidiaNews.

O governador eleito tem reiterado, por exemplo, que fará o máximo de cortes possível na máquina pública.

Entre as medidas, a demissão de servidores contratados, além da redução no número de secretárias ou órgãos.

“Sem aumentar impostos, vamos ter que focar muito na redução da despesa do Estado, porque não há um grande espaço assim, para num curto espaço de tempo, fazer mágica e a economia crescer”, disse.

“A economia é um transatlântico, ela não dá um cavalo de pau da noite para o dia. Ações tomadas demoram certo tempo pra colher os frutos. Vamos ter que trabalhar em todas as direções, planejando e executando ações para economizar e para a economia crescer, a arrecadação crescer”.

Incentivos

Mendes afirmou também que, ao menos por ora, não discutiu a possibilidade de taxar o setor do agronegócio.

“Vamos ver se existe essa possibilidade ou não. Num primeiro momento, criar novos impostos não é a primeira alternativa que vamos tomar”.

Ele afirmou que pretende focar em medidas também para combater a sonegação no Estado e quer fazer um pente fino nos incentivos fiscais concedidos em Mato Grosso.

Somente os políticos maldosos, mal intencionados, é que na época das eleições metem o pau nos incentivos

“Revisitaremos todas as principais políticas públicas de Mato Grosso. Aquelas que estiverem boas, certamente vão continuar. As que forem passíveis de alguma melhoria, certamente vamos melhorar. E aquelas que a gente julgar – e vamos explicar isso a sociedade – que não são boas, vamos encerrar”, afirmou.

“Agora, a política de incentivos fiscal é necessária. Já disse isso muitas vezes. Somente os políticos maldosos, mal intencionados, é que na época das eleições metem o pau nos incentivos. Só políticos maldosos e desonestos fazem isso”, acrescentou o eleito.

Ele disse que os incentivos são concedidos em todos os estados brasileiros, como forma de atrair indústrias, o que não é diferente em Mato Grosso.

“Mato Grosso tem a energia elétrica mais cara do Brasil, estamos longe dos centros consumidores. Então, transportar o que se fabrica aqui custa mais caro. Essa desvantagem competitiva tem que ser compensada. Se não, não vamos ter indústria nenhuma aqui no Estado”.

Veja um trecho da entrevista: