Ministro defende filho de Bolsonaro e pede retratação do embaixador chinês

Marcelo Camargo/Agência Brasil/Agência O Globo

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O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se pronunciou nesta quinta-feira (19.03), em relação às declarações ofensivas trocadas entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

Através de suas redes sociais e por meio de nota, Ernesto criticou as postagens feitas por Wanming direcionadas ao filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “É inaceitável que o Embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite”, disse.

Já em relação ao fato de que Eduardo Bolsonaro culpou a China pelo coronavírus, Ernesto afirmou que as falas do deputado não refletem a posição do Governo brasileiro.

Apesar da repreensão às declarações de Eduardo, no decorrer da nota Ernesto afirma que, em nenhum momento, o deputado ofendeu o chefe de Estado chinês e que, por isso, a atitude de Wanming foi “desproporcional e feriu a boa prática diplomática”. O ministro disse ainda esperar uma retratação do embaixador.

Ernesto disse também irá procurar tanto o deputado Bolsonaro, quanto Wanming para que haja um “entendimento recíproco” entre eles.

Entenda o caso: Na manhã dessa quarta-feira (18.03), Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para comparar a pandemia do coronavírus ao acidente nuclear Chernobil, ocorrido na Ucrânia em 1986. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o q ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa +1 vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste,mas q salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução (sic)”.

Em resposta, Wanming afirmou que os chineses repudiam a fala de Eduardo e exige um pedido de desculpas. Ele ainda disse que iria manifestar indignação junto ao Ministério de Relações Exteriores. “A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e [à Câmara dos Deputados e ao seu presidente, Rodrigo Maia, e ao ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo]”.

Também foram feitas publicações na conta oficial da embaixada chinesa. Dessa vez foi dito que Eduardo Bolsonaro, ao voltar de Miami, contraiu “vírus mental” e estaria “infectando a amizade” entre brasileiros e chineses. “As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos”.