Piora da economia e juros altos devem diminuir crédito

Dados do BC mostram que o ritmo de concessões de novos créditos já diminuiu

A elevação da taxa básica de juros (Selic) e a possível piora de indicadores econômicos, com novas rodadas de medidas de isolamento em razão do agravamento da pandemia de Covid-19, devem tornar o mercado de crédito mais restritivo ao longo deste ano.Nesse contexto, segundo economistas consultados pela Folha de S.Paulo, os empréstimos vão custar mais caro e os bancos ficarão menos dispostos a conceder financiamentos. Isso ocorre quando a economia vai mal, porque os riscos de calote aumentam.

“O prolongamento da pandemia e agora o aprofundamento vão bater na economia, e março e abril vão ser muito ruins. O crédito ficará mais caro não só pelo aumento da taxa básica, mas pela percepção de que pessoas e empresas não conseguirão honrar seus compromissos”, avalia o economista-chefe da JF Trust Investimentos, Eduardo Velho.

“Os bancos vão ficar bem mais cautelosos e a própria demanda por crédito pode cair”, aposta o analista. Para ele, o volume de empréstimos pode recuar em 2021. “Com certeza deve haver uma desaceleração, e é possível que haja inclusive queda”, diz.
Além disso, apesar dos programas emergenciais de crédito que vêm sendo discutidos, o espaço fiscal é menor e, agora, essas linhas devem ser menos expressivas.

Mesmo diante da pior crise econômica da história recente, o mercado de crédito cresceu 15,5% no ano passado, o que não deve se repetir neste ano. Os empréstimos foram impulsionados por um conjunto de fatores, como os menores juros da história, pacotes de estímulos do governo e afrouxo regulatório.

Dados do BC mostram que o ritmo de concessões de novos créditos já diminuiu. Nos meses mais críticos da crise, como abril e maio, as concessões tiveram queda expressiva. Depois, com medidas de incentivo do governo e da autoridade monetária, chegaram a crescer 9,4% em julho.https://googleads.g.doubleclick.net/pagead/ads?client=ca-pub-5990868310294203&output=html&h=90&adk=679898628&adf=3053293863&pi=t.aa~a.426233106~i.11~rp.4&w=869&fwrn=4&fwrnh=100&lmt=1616439431&num_ads=1&rafmt=1&armr=3&sem=mc&pwprc=8286682711&psa=1&ad_type=text_image&format=869×90&url=https%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com.br%2Feconomia%2F1788331%2Fpiora-da-economia-e-juros-altos-devem-diminuir-credito&flash=0&fwr=0&pra=3&rh=200&rw=869&rpe=1&resp_fmts=3&wgl=1&fa=27&adsid=ChAI8IDhggYQluzJ1KLNprlAEjkAMQGkxxX21f15Si9wIhD-edBDa1IcMReb56NGkKx745zIq9kGe82pXAARfVHe0Gwv_ZEDUZ-fofE&uach=WyJXaW5kb3dzIiwiMTAuMCIsIng4NiIsIiIsIjg5LjAuNDM4OS45MCIsW11d&tt_state=W3siaXNzdWVyT3JpZ2luIjoiaHR0cHM6Ly9hZHNlcnZpY2UuZ29vZ2xlLmNvbSIsInN0YXRlIjo2fSx7Imlzc3Vlck9yaWdpbiI6Imh0dHBzOi8vYXR0ZXN0YXRpb24uYW5kcm9pZC5jb20iLCJzdGF0ZSI6N31d&dt=1616439431102&bpp=4&bdt=1090&idt=4&shv=r20210316&cbv=r20190131&ptt=9&saldr=aa&abxe=1&cookie=ID%3D0b79afb2920d5dd6-220a7675c9b300a2%3AT%3D1611920012%3ART%3D1611920012%3AS%3DALNI_MYi0MdhcbiuuMy6h1ouQ9PmdPhO4A&prev_fmts=0x0%2C288x250%2C288x250%2C288x100%2C300x250%2C288x250%2C869x280&nras=3&correlator=5232666983257&frm=20&pv=1&ga_vid=295511681.1612287190&ga_sid=1616439431&ga_hid=216826142&ga_fc=1&u_tz=-180&u_his=8&u_java=0&u_h=768&u_w=1366&u_ah=728&u_aw=1366&u_cd=24&u_nplug=3&u_nmime=4&adx=15&ady=2362&biw=1349&bih=600&scr_x=0&scr_y=0&eid=42530672%2C21067496%2C44739387&oid=3&pvsid=232649003378236&pem=138&ref=https%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com.br%2Feconomia&rx=0&eae=0&fc=1408&brdim=0%2C0%2C0%2C0%2C1366%2C0%2C1366%2C728%2C1366%2C600&vis=1&rsz=%7C%7Cs%7C&abl=NS&fu=8320&bc=31&ifi=8&uci=a!8&btvi=4&fsb=1&xpc=dWbK3ZJJRD&p=https%3A//www.noticiasaominuto.com.br&dtd=581

Em novembro, o total de novos empréstimos subiu 1,4%, e em dezembro caiu 9,8%. Em janeiro deste ano, houve elevação de 1,9%.

A última previsão do BC para crescimento da carteira de crédito do sistema financeiro foi de 7,8% para 2021. A estimativa foi publicada no último relatório trimestral de inflação, em dezembro.

A autoridade monetária deverá revisar o número na quinta-feira (25), quando será publicado novo relatório.

Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), avalia que a projeção da autarquia virá menor dessa vez. “Não acredito que o mercado de crédito terá desaceleração tão drástica, mas também não vai se expandir tanto. Acredito que deva ter crescimento real [descontando a inflação] zero, o que seria uma taxa de 4% a 5%”, aponta.

Para ele, a tendência é que o BC não repita as medidas que tomou no início da pandemia, com liberação de capital e de liquidez para os bancos.

Liquidez é a quantidade de recursos disponíveis nas instituições financeiras. Quanto mais dinheiro em caixa, maior a possibilidade de aumentarem a concessão de crédito.

“Não há falta de liquidez nos bancos e seria contraditório aumentar a Selic [para reduzir o estímulo na economia] e liberar recursos no sistema financeiro. O que vai se reduzir é o apetite das instituições na hora de emprestar”, destaca.

O BC divulga uma pesquisa trimestral que mede o nível de apetite dos bancos para conceder crédito. O levantamento é medido em escala que vai de -2 a 2. Números negativos indicam baixa oferta e positivos, alta.

Mesmo com as medidas de enfrentamento à pandemia, com linhas subsidiadas pelo governo direcionadas às micro e pequenas empresas, nos segundo e terceiro trimestres de 2020 os números foram negativos para o segmento, -0,53 e -0,17 respectivamente. Nos seis trimestres anteriores o dado tinha sido positivo.

O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que mesmo que haja expansão no estoque de crédito, não serão em linhas voltadas para o investimento, mas ligadas ao aperto financeiro do brasileiro e das empresas.

“Mesmo com os juros mais altos, as pessoas vão precisar tomar empréstimos para consumo de produtos básicos, o que é ruim, porque reflete a queda da renda e o nível de desemprego. Esse tipo de crescimento não é bom”, diz.

Segundo Galhardo, o spread -diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram em empréstimos- ainda é um problema no país, mesmo com a queda dos juros nos últimos anos, por causa do alto nível de concentração bancária.

“Mais de 80% do crédito está concentrado na mão dos cinco maiores bancos”, pondera.

O presidente da corretora Wiz, Heverton Peixoto, diz que o mercado permanecerá em crescimento e que esta é uma oportunidade para que novos entrantes (fintechs e bancos digitais) ampliem sua atuação.

Para ele, a mudança é temporária e não estrutural. “É um movimento [de ingresso de novas instituições e crescimento do crédito] que vai permanecer nos próximos anos”, diz.

Por Redação