Procurador-Geral afirma que faltou a Bolsonaro discernimento entre interesses

Por Esportes & Notícias

O procurador-Geral de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE), José Antônio Borges vê com preocupação a demissão de dois ministros do presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o responsável pela Saúde, Luiz Mandetta, foi exonerado do cargo a mando do presidente. Nesta sexta-feira (24), o ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, pediu para sair. O motivo cita foi a troca da chefia da Polícia Federal e interferência no seu modo de trabalhar.
Em seu pronunciamento, Moro disse que não teve “carta branca” como prometido e que a PF estava sofrendo interferências políticas. Por não concordar com a situação, ele quis se afastar.
“O ex-ministro Moro deixou bem claro que não estava tendo condições de trabalhar exatamente naquilo em que ele se tornou conhecido, ou seja, no combate ao crime organizado. Era aquillo que ele queria fazer após 22 anos atuando como juiz federal, e saiu por um dos piores motivos, ou seja, porque houve uma interferência na mudança do comando da Polícia Federal”, diz trecho de nota divulgada pelo MPE.
No entendimento de Borges, faltou ao presidente discernimento para separar interesses políticos dos interesses do Estado. E também de interesses de grupos políticos em barrar investigações.
“Faltou ao presidente da República separar a política de governo da política de Estado. O Ministério da Justiça não pode ser contaminado por interesses pessoais ou por barreiras de grupos quanto à investigação de crimes”, avalia.
“Vejo com muita preocupação. Num momento em que enfrentamos uma grande pandemia, em uma semana tivermos a demissão do ministro da Saúde, que hoje é a área mais sensível, e agora do nosso ministro da Justiça, Sérgio Moro, seja por ele ser uma referência, e também por se tratar de um ministério que deve ter uma abordagem e uma relação de política de Estado e não de governo, exatamente por termos ali uma coordenação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal. Principalmente da Polícia Federal, ligada ao combate ao crime organizado e aos crimes contra o sistema financeiro nacional”, destaca.