Propina de esquema no Detran foi usada em campanhas de ex-governador e deputado de MT, diz MP

O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (MDB), e o deputado estadual Mauro Savi (DEM) receberam R$ 750 mil cada um da FDL Serviços de Registro de Cadastro (atual EIG Mercados Ltda) como pagamento após ajudar a empresa a firmar contrato com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) para prestação de serviços na autarquia, em 2009.

A informação consta na denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MP-MT) contra o ex-governador, sete deputados estaduais e outras 50 pessoas por suspeita de participação em um esquema fraudulento que teria desviado cerca de R$ 30 milhões do Detran, na última quarta-feira (16).

Segundo a denúncia do MP, para conseguir o contrato, a empresa se comprometeu a repassar parte dos valores recebidos com os contratos para pagamento de campanhas eleitorais.

Com isso, o ex-governador e o deputado teriam recebido a propina logo após a celebração do contrato, e aplicado nas respectivas campanhas em 2010. O valor de R$ 750 mil seria equivalente a um mês de campanha.

De acordo com o MP, com a continuidade das fraudes, mais propinas foram repassadas e outras pessoas beneficiadas.

O esquema

O esquema girou em torno da contratação da empresa responsável pela execução das atividades de registros junto ao Detran dos contratos de financiamentos de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil e de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor.

O desvio é investigado na Operação Bereré, deflagrada em fevereiro deste ano. A organização teria fraudado uma licitação e abriu uma empresa fantasma para acobertar o esquema, segundo a denúncia.

De acordo com o MP, os denunciados devem responder, entre outros, por crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro. Confira aqui a lista completa dos denunciados.

O esquema teriam sido iniciado em 2009, quando o ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o Dóia, assumiu o cargo no órgão, sob a indicação de Mauro Savi.

Ele fez acordo de delação premiada com o MP. Segundo Dóia, o esquema começou na gestão de Silval.

De acordo com o depoimento dele, os investigados se organizaram, “a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias”.

Ao todo, 30{ce2551fde2e1a4b26c8301536bdeec1ec9d30bdaca74ae8a9a9dcfce14bbd35b} do valor recebido pelas empresa vencedora do contrato era repassado ao integrantes da quadrilha.

Prisões

Neste mês, o deputado Mauro Savi foi preso durante a segunda fase da operação, chamada de Bônus. Além dele, foram presos Paulo e Pedro Jorge Taques, primos do governador Pedro Taques (PSDB), e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo ‘Grilo’, e José Kobori.

 

Por G1-MT