Receita no campo deve crescer 13% neste ano em MT

A previsão do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) para 2021, em Mato Grosso, é de R$ 178,24 bilhões, cifras recordes ao Estado que é o maior produtor agrícola do País. A previsão de alta – ligeiramente acima da observada para o País – sobre o faturamento se dá mesmo sob os problemas climáticos enfrentados pelos produtores locais, desde o plantio da soja, até sua colheita e semeadura do milho.

Mais do que um saldo histórico, se confirmada a estimativa do Ministério da Agricultura, o valor será 13% superior ao recorde anterior, em R$ 157,69 bilhões, o que mantém Mato Grosso na liderança nacional em faturamento no campo. O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.

Dos mais de R$ 178 bilhões, R$ 145,12 bilhões virão da agricultura e R$ 33,11 bilhões da pecuária. Ambas projeções são históricas na série estadual.

A expansão anual é sustentada – pela ordem – pelo milho, soja, bovinocultura, algodão, avicultura e leite. Para 2021 há previsão de retração de faturamento à cana-de-açúcar, à suinocultura e à produção de ovos.

Os dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que o milho deverá fechar o ano com valorização de 20,68%, com o VBP passando de R$ 29,39 bilhões para R$ 35,66 bilhões. O cereal tem a maior projeção de alta para o Estado, em 2021. No entanto, o maior faturamento segue vindo da soja, cuja estimativa é de somar R$ 87,69 bilhões, 13% sobre o contabilizado no ano passado, R$ 77,75 bilhões.

Ainda na agricultura, há perspectiva de expansão ao algodão em 6,25%, passando de R$ 16,20 bilhões para R$ 17,51 bilhões. A cana deverá recuar de R$ 2,37 bilhões para R$ 2,06 bilhões.

Na pecuária, das cinco atividades, três têm projeções de alta. O destaque em faturamento segue com a bovinocultura que deve fechar o ano com VBP em R$ 26,60 bilhões ante R$ 23,41. Em expansão estão também a avicultura, que deve somar R$ 3,10 bilhões e a produção de leite com mais R$ 826,50 milhões. Na outra ponta, os recuos da atividade vêem da suinocultura, com projeção de R$ 1,65 bilhão ante R$ 1,70 bilhão no ano passado e da produção de ovos que deve contabilizar R$ 920,20 milhões contra R$ 988,85 milhões.

“Os preços da maioria dos produtos examinados são superiores aos do ano passado. Esse comportamento também pode ser observado em produtos da pecuária. Também neste ano houve investimento acentuado em tecnologia, e na incorporação de novas áreas, como mostram os dados levantados pela Conab (2021). Ambas contribuíram para os resultados obtidos, embora o crescimento da produção seja impulsionado principalmente pelos ganhos de produtividade, e não pelo acréscimo de área”, informa a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os estados de Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, são os primeiros classificados no valor da produção. Juntos respondem por 62,6% do VBP total. As regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste representam 83,6% do valor da produção. As regiões Nordeste e Norte respondem por 15,1% do VBP.

Conforme ranking do Mapa os cinco maiores VBPs do País são: Mato Grosso com R$ 178,24 bilhões, seguido por pelo Paraná, R$ 140,95 bilhões, São Paulo, R$ 117,23 bilhões, Rio Grande do Sul, R$ 108,26 bilhões e Minas Gerais, R$ 101,33 bilhões.

BRASIL – A previsão de VBP para o País é de R$ 1,03 trilhão, o que representa 12,1% acima do obtido em 2020. Apesar da questão climática, as lavouras gerarão R$ 708,3 bilhões, com aumento real de 15,4%, e a pecuária, R$ 323,9 bilhões, com aumento de 5,4% em relação a 2020.

Entre as lavouras, os principais destaques são arroz, com aumento de 6,0% no VBP, cacau 6,9%, laranja 7,2%, milho 21,9%, soja 30,1% e trigo 13,6%. A soja teve aumento real no valor de 73,0% nestes dois anos. Os aumentos nos valores de soja e milho foram os mais elevados desde o início desta série, em 1989. Redução expressiva no VBP vem ocorrendo em banana (-3,7), café (-24,2), e tomate (-10,4%).

Os resultados mostram que soja, milho, cana de açúcar, café e algodão, os cinco primeiros colocados no VBP, são responsáveis por 57,3% do VBP das lavouras. Ligeira recuperação da cana-de-açúcar vem sendo observada, e isso é relevante pois a ela tem importante participação no faturamento do setor.

Na pecuária, contribuições positivas ao VBP são de carne bovina (10,7%), carne de frango (2,4%) e leite (4,6%). Contribuição negativa foi observada em suínos (-2,6) e ovos (-6,7%).

Por MARIANNA PERES