Relatório diz que juíza aposentada usa seguranças em eventos particulares

A Comissão de Segurança do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a suspensão da escolta policial da juíza aposentada Selma Arruda, cedida pelo governo. A decisão do presidente da comissão, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, se baseia em um relatório que apontou o uso dos seguranças em eventos particulares.

Em nota, a juíza aposentada diz que deve recorrer da determinação. Selma havia solicitado a manutenção da escolta policial sob a alegação de receber ameaças de membros de uma facção criminosa.

No pedido, ela alega que em março deste ano foi abordada por uma pessoa ligada a uma facção. Na ocasião, essa pessoa teria feito várias observações sobre a segurança dela.

O pedido da juíza aposentado foi colocado sob a avaliação da Comissão de Segurança de Magistrados do TJMT. Segundo o órgão, um parecer concluiu pela retirada gradativa da segurança de Selma no prazo dos próximos seis meses.

Um relatório de Inteligência apontou que, “no atual momento não existem ameaças reais identificadas contra a vida da magistrada e de sua família”, mas que a situação de perigo pode se alterar a qualquer momento.

Nos últimos seis meses, segundo o relatório, não foram comprovadas as ameaças e o nível de ameaça diminuiu de 76 para 63, passando de nível médio para baixo. “Portanto, não estando mais desempenhando suas funções de magistrada e não sendo detectado o efetivo risco para a segurança dela e de sua família, entendemos que a escolta pessoal deve ser desmobilizada”.

O mesmo relatório também apontou falhas no protocolo de segurança. Para ter a segurança, o magistrado deve seguir normas como:

não frequentar bares, danceterias, restaurantes, hotéis, estádios de futebol, shoppings ou locais de grande presença de público;

comparecer a eventos sociais;

contatar empresas de comunicação de massa;

manter ou criar perfis em redes sociais;

viajar para fora do município que reside;

Na determinação, a comissão aponta o uso da escolta em eventos políticos e compromissos particulares e determinou a suspensão da guarda no prazo de 48 horas.

Antes de deixar a magistratura, Selma relatou ao G1 como era a rotina com os seguranças. À época, ele era vigiada por nove policiais militares, que se revezam em plantões.

Selma atuava na Vara Contra o Crime Organizado e foi responsável pelas prisões de políticos, entre eles o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (MDB), o ex-deputado José Riva e de empresários. Por causa da notoriedade, Selma foi comparada ao juiz federal do Paraná, Sérgio Moro.

Por G1