Revista Nature opõem-se à administração de terceiras doses da vacina

A revista científica Nature reforçou, esta quarta-feira (18), os apelos que têm sido feito contra a administração de uma terceira dose de reforço das vacinas contra a Covid-19.


De acordo com o artigo publicado, citado pelo The Guardian, a revista especializada em medicina  salienta que a eficácia da administração de uma nova dose em pessoas com o esquema vacinal completo ainda não foi cientificamente comprovada. 

“Num momento de escassez de vacinas, a escolha de administrar doses de reforço deve ser decidida por provas dos seus benefícios e tendo em conta o custo que estas terão no atraso da entrega de vacinas a pessoas vulneráveis e profissionais de saúde noutros países. Até agora, há escassas provas de que estas doses de reforço são necessárias para proteger as pessoas que já estão totalmente vacinadas”, é argumentado. 

O artigo aponta também para o fato de, neste momento, os países com maior rendimento contarem, em média, com 58% das pessoas vacinadas contra a Covid-19 com pelo menos uma dose quando, nos países com menor rendimento, a média é de 1,3%.

“Infelizmente, muitos países estão avançando com doses de reforços independentemente [da falta de dados científicos e da situação de países com menos capacidade econômica]”, pode ler-se. 

Ainda sobre a matéria, a revista lembra que Israel já começou a inocular pessoas com mais de 50 anos e com comorbilidades com uma terceira dose da vacina e que a França, Alemanha, Reino Unido e os Estados Unidos já estão a planear administrar também um reforço vacinal.

“Se não houvesse falta de vacinas, a administração de doses de reforço seria um tema menos controverso. Mas, o foco em terceiras vacinas quando mais de metade do mundo tem falta de doses de vacina mostra falta de visão e só irá permitir que a pandemia dure mais tempo. Para os países ricos, esta estratégia irá ainda levar com que entrem num ciclo constante de surgimento de novas variantes, enquanto para o resto do mundo há um prolongamento de sofrimento desnecessário”, é concluído.