Secretário diz que volta às aulas é preocupante

secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, que já contraiu o coronavírus duas vezes e sofreu com a Covid-19, disse que é contra o retorno às aulas presenciais na rede estadual, diante desta segunda onda da doença.

Após longa internação, na UTI em São Paulo, e correr risco de morte, ele voltou a trabalhar somente nesta segunda (11) e acha temerário, neste cenário de crescimento dos registros de contágio e mortes, aglomerar alunos, professores e funcionários em escolas, mesmo com esforço de garantir distanciamento social, uso de máscara e higienização com álcool em gel.

“Entendemos que, com o crescimento dos casos no Estado e da taxa de ocupação de UTI, é uma temeridade neste momento voltar às atividades presenciais, mas não queremos tomar decisão isolada”, diz o secretário. “À luz dos dados epidemiológicos”, ele entende que as aulas devem permanecer on-line.

Ele explica que a decisão é do Governo e os prefeito devem se orientar por ela. “Eu, como secretário de Estado, entendo que por mais que o município não esteja neste momento enquadrado no quadro crítico, o indicador taxa de ocupação de UTI é primordial, porque pode este município ter necessidade de um leito de UTI e não vai ter para os demais, então temos que tomar uma decisão um pouco mais ampliada, com mais segurança, já que há a perspectiva de começar lá pelo dia 25 a vacinação e aí esse cenário pode ser alterado, mas sem vacinação, sem remédico específico para doença e sem leito suficiente é meio temeroso permitir a concentração nas escolas”.

O secretário reforçou que o país está atrasado com o plano de vacinação embora veja esforço do Ministério da Saúde para agilizar a campanha de imunização. O governador Mauro Mendes (DEM) havia reclamado disso nesta quarta (13) em entrevista na rádio. 

Figueiredo já adiantou que não haverá vacina suficiente para todos e terão de priorizar grupos de risco.

Haverá uma reunião ampliada hoje com Governo, Assembleia, Sintep e o Comitê de Operações Emergenciais (COE) e o Governo deve divulgar a qualquer momento a decisão tomada em ambiente colegiado sobre o retorno às aulas e vacinação.

Desde dezembro de 2020, foi registrado um aumento considerável nos casos de novo coronavírus em Mato Grosso. O Estado já acumula 194.113 casos da doença, além de 4.727 mortes. As aulas estão suspensas desde o início da pandemia, em março do ano passado.

Keka Werneck, Andhressa Barbosa e Ana Flávia Corrêa