Silval diz que Paulo Prado sabia da cobrança de propina e não tomou nenhuma atitude

VG Notícias

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Atualizado às 11h40 – O ex-governador Silval Barbosa em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI do Paletó) que investiga o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), nesta segunda-feira (02.03), afirmou que o então chefe do Ministério Público Estadual,  procurador Paulo Prado, sabia dos pedidos da extorsão dos deputados estaduais e dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas não fez nada. 

Silval iniciou o depoimento afirmando que a cobrança de propina por parte dos deputados iniciou quando as obras do MT Integrado começaram a sua execução. Segundo ele, no começo os parlamentares pediram R$ 1 milhão cada, porém, sem revelar nomes.

Ele narrou que pediu “socorro” ao Ministério Público na época dos fatos, citando o procurador Paulo Prado, mas que ele não teria tomado qualquer providência. “Eu pedi socorro ao Ministério Público, mas não me ajudaram. Me vi pressionado, e vendo todas as obras da Copa do Mundo paralisadas, e sabendo que precisava aprovar os projetos na Assembleia, cedi a extorsão dos deputados, ficando estabelecido o pagamento de R$ 600 mil, com valor de R$ 50 mil para cada parlamentar em 12 vezes”, disse o ex-gestor.

O ex-governador contou que chegou a ter uma reunião com o então chefe do MPE, procurador Paulo Prado, no qual contou sobre a extorsão de deputados e conselheiros e que na época Prado sugeriu que eles preparassem uma estratégia para flagrar todos (sugerindo gravar os deputados). “Disse que passaria toda a informação a ele e que poderia paralisar as obras. Ele ficou de estudar e não me retornou. Então adotei a atitude que adotei”.

Barbosa falou sobre a extorsão sofrida por ele por parte dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Queria executar todas as obras do MT Integrado e tive que ceder à chantagem deles para que os serviços não parassem. Então ocorreu o atraso no pagamento da propina aos deputados, sofri pressão para o pagamento e nisso o Sílvio fez aquele vídeo da fila indiana do pagamento de propina aos deputados”, contou o ex-governador.

O ex-gestor afirmou que “sofreu muito” no seu Governo e que se não fosse a pressão para o pagamento de propina aos deputados, conselheiros e até de diretores do DNIT, poderia ter feito uma gestão melhor.  

Em seu depoimento, Silval disse que tinha conhecimento das gravações realizadas por Sílvio Cesar Corrêa, e que Emanuel Pinheiro não participou da comissão de deputados que o teria pressionado para o pagamento de propina. “Mas, ele foi um dos deputados que recebeu”, enfatizou.

E completou: “O dinheiro não tinha nada haver com pagamento do Instituto do Popó (irmão de Emanuel). Aquele dinheiro era fruto de extorsão mesmo”.

Ele negou ter recebido qualquer visita de pessoas ligadas ao prefeito da Capital para “aliviar” o lado do gestor. “Mesmo se eu recebesse eu não faria”.

Mensalinho – Silval contou que o “mensalinho” era pago aos deputados desde 1998. “O mensalinho está incluso dentro do orçamento algo em torno de R$ 15 milhões, uma média de R$ 50 mil para cada deputado e R$ 15 mil de verba indenizatória. Fiquei sabendo que no governo Pedro Taques foi inserido em lei esse pagamento. Agora eles recebem e não precisam prestar contas”, disse Barbosa.

“Das fiscalizações que acompanharam as obras da Copa do Mundo, deputados, senadores, CREA, vereadores de Cuiabá, nunca recebi relatório de ninguém. Nenhuma Comissão me enviou nada”, declarou Silval ao falar das várias Comissões que fiscalizaram as obras da Copa. 

Ao final, Silval garantiu que “nunca sacaneou com ninguém”, e que tudo que consta na sua delação, as pessoas envolvidas “sabem e tem conhecimento” que participou da ilicitude.  

Após quase duas horas de depoimento, Silval deixou à Câmara Municipal pela porta dos fundos e não quis falar com a imprensa.