Sucesso de ações da moda desafia histórico de décadas de perdas

Day traders que enriquecem comprando ações de empresas que estão na moda — como as que oferecem energia solar e computação em nuvem — desafiam um histórico de duas décadas de perdas sofridas por fundos negociados em bolsa (ETFs na sigla em inglês) que seguem essa abordagem.

Onerados por ações sobrevalorizadas, os ETFs que miram nos principais temas de investimento perderam 5% ao ano entre 2000 e 2019, com base ajustada ao risco, segundo um novo estudo.

O dado deveria servir para lembrar que o que é bom não dura para sempre. No entanto, a euforia especulativa em torno dos fundos temáticos continua aumentando. Um em cada três dólares aplicados em ETFs de ações nos EUA em janeiro foi para este segmento, somando US$ 12,6 bilhões.

“A demanda por ETFs especializados vem de investidores não sofisticados que perseguem ideias de investimento que, em sua opinião, vão produzir retornos esperados mais altos”, afirmaram acadêmicos da Universidade Estadual de Ohio, do Instituto de Finanças da Suíça e da Universidade Villanova, no estudo. Na prática, “os ativos subjacentes a esses ETFs estão sobrevalorizados e, portanto, têm desempenho inferior após a emissão”.

ETFs temáticos nos EUA agora têm sob gestão um volume recorde de US$ 142 bilhões em ativos e quase triplicaram em relação a um ano atrás.

Com as ambições voltadas para novos setores de rápido crescimento, como robótica e viagens espaciais, eles costumam ter em carteira papéis de empresas badaladas na mídia, que têm aumento correspondente no preço das ações, de acordo com o estudo.

Como resultado, esses ETFs normalmente incluem ações com claras indicações de sobrevalorização, como razão elevada entre valor de mercado e valor contábil e ou grande volume de posições vendidas.

Os autores estudaram mais de 1.000 produtos de renda variável listados nos EUA, acompanhando fundos de base ampla que seguem índices como o S&P 500 e ETFs especializados que rastreiam setores e temas. Fundos alavancados, inversos e de gestão ativa não foram incluídos.

Os resultados foram surpreendentes: uma carteira desses fundos temáticos e setoriais perdeu 3,1% ao ano em uma base ajustada ao risco e excluindo taxas. O fraco desempenho normalmente aparece na estreia. Novos ETFs se saíram ainda pior, caindo 5% ao ano.

O investidor de varejo provavelmente arcará com a maior parte dessas perdas.

Usando dados extraídos diretamente da plataforma Robinhood, os pesquisadores descobriram que os usuários favorecem amplamente os ETFs temáticos em detrimento dos produtos de base ampla.

Paralelamente, com base em formulários 13F, exigidos dos investidores institucionais, eles descobriram que gestoras institucionais detinham cerca de 43% em ETFs de base ampla logo após o lançamento e somente 0,39% em fundos especializados.

É possível que os fundos temáticos tenham chegado à maturidade. O período de estudo termina antes dos eventos sem precedentes ocorridos em 2020, quando alguns dos temas de maior destaque foram impulsionados pela pandemia.

O estudo também exclui fundos de gestão ativa, como os oferecidos pela Ark Investment Management, que dispararam em popularidade após apostas bem-sucedidas em empreendimentos como Tesla e Bitcoin.

Mas para os emissores, o raciocínio é simples. O estudo ressalta que os produtos temáticos e setoriais detinham apenas 20% dos ativos aplicados em todos os ETFs no final de 2019, mas geraram um terço da receita graças às taxas mais salgadas.

por Vitória Fernandes