Terremoto de 6,7 graus deixa oito mortos no Japão

Um terremoto de 6,7 graus de magnitude sacudiu nesta quinta-feira a ilha de Hokkaido, no norte do Japão, deixando pelo menos oito mortos, cerca de 40 desaparecidos e 125 feridos, anunciou o canal público de televisão NHK.

Cinco corpos foram encontrados sob os escombros de casas destruídas pelo sismo em Atsuma, uma localidade de montanha na ilha de Hokkaido.

O epicentro do tremor foi situado 62 quilômetros a Sudeste da capital regional, Saporo, apenas dois dias após um tufão causar graves danos à região ocidental de Osaka.

O terremoto foi seguido por um abalo secundário de 5,3 graus e por outros tremores menores.

A Agência Meteorológica japonesa anunciou uma leve elevação do nível do mar nas zonas costeiras, mas não emitiu alerta de tsunami.

O porta-voz do governo, Yoshihide Suga, informou oficialmente a morte de duas pessoas. Segundo o canal estatal NHK, uma das vítimas fatais é um homem de 82 anos, que caiu da escada de sua casa durante o tremor.

O terremoto provocou ao menos quatro deslizamentos de terra, acrescentou Suga.

Fotos aéreas mostram os estragos causados por um deslizamento de terra que arrancou todas as árvores e soterrou casas em Atsuma, onde há 39 desaparecidos, relatou o canal NHK.

Os bombeiros evacuavam os demais habitantes de Atsuma de helicóptero.

Oito casas desabaram, e os socorristas trabalham à procura de possíveis vítimas soterradas, segundo o Corpo de Bombeiros.

FALTA DE LUZ EM MILHÕES DE CASAS

Um contingente de 4 mil militares foi enviado à região para participar dos trabalhos de resgate, e este número deve ser ampliado para 25 mil homens, anunciou o primeiro-ministro Shinzo Abe, após uma reunião do gabinete de crise.

Segundo a Hokkaido Electric Power, 2,95 milhões de residências ficaram sem eletricidade em consequência do tremor, que paralisou a atividade de todas as usinas da região.

O fornecimento de energia deve ser retomado de forma progressiva, informou o ministro da Indústria, Hiroshige Seko.

A energia de uma usina nuclear deTomari, em Hokkaido, no norte do Japão, foi restaurada, mas pode levar até uma semana para que a eletricidade seja restabelecida em toda a ilha.

Uma grande usina movida a carvão também foi danificada pelo sismo, que derrubou a rede de transmissão de energia.

TRANSPORTES AFETADOS

O terremoto também perturbou os transportes ferroviários e aéreos. O aeroporto de Sapporo Chitose cancelou todos os seus voos, segundo a agência de notícias Kyodo.

As autoridades alertaram para o risco de novos tremores: “Fortes abalos secundários ocorrem geralmente nos dois, ou três, dias seguintes”, disse Toshiyuki Matsumori, encarregado de vigilância de tsunamis e terremotos da agência meteorológica.

– O risco de desabamento de casas e de deslizamentos de terra pode ter aumentado nas zonas que sofreram fortes abalos. Pedimos à população que preste atenção na atividade sísmica e nas chuvas, e que evite as zonas de risco – adverte Matsumori.

Os moradores da região relataram como ficaram assustados com o sismo.

– O terremoto me acordou logo após às três da madrugada. Acendi a luz, mas a energia acabou logo depois – contou Akira Fukui, morador de Sapporo.

Outro residente disse nunca ter testemunhado algo semelhante.

– Houve um abalo súbito, extremo. Minha casa alançou de forma lateral durante muito tempo, parou e voltou a tremer. Tenho 51 anos e nunca vivi algo assim – declarou Kazuo Kibayashi, morador da cidade de Abira. – Pensei que minha casa fosse desabar, ficou tudo revirado. Minha filha, que está na escola, ficou aterrorizada.

ECOS DE FUKUSHIMA

A situação em Tomari, usina nuclear de três reatores da prestadora de serviço Hokkaido Electric Power, foi um eco preocupante, embora breve, do desastre nuclear de Fukushima Daiichi em 2011.

Naquela ocasião os reatores derreteram depois que um grande tsunami destruiu os geradores reservas, cuja função é manter a energia para resfriar os reatores em emergências.

Embora a usina de Tomari tenha sido desligada depois do desastre de Fukushima, precisa de eletricidade para manter os bastões de combustível resfriados, e teve que contar com geradores reserva a diesel que se ligaram depois do atual terremoto até a energia ser restaurada em todos os três reatores perto das 13h.

Agora a Hokkaido Electric corre para devolver a energia a casas, fábricas e outros clientes ao mesmo tempo em que equipes de resgate usam maquinário pesado e equipamento de escavação para procurar sobreviventes, que podem estar presos em edifícios abalados.

A situação de Hokkaido foi agravada pelas dificuldades para receber suprimentos de regiões vizinhas, que são atendidas por outras prestadoras de serviço com suas próprias redes de transmissão, outro eco da tragédia de 2011.

O porta-voz da Hokkaido Electric disse que a empresa não está recebendo suprimentos de Honshu, ilha do sul que abriga Tóquio, Osaka e Nagoya, apesar de existir uma conexão de 600 megawatt para a transferência de energia do litoral da principal ilha do Japão.

– Em toda a nação eles vêm tentando reforçar os sistemas de energia conectando esses diferentes sistemas, mas não é tão fácil quanto parece – explicou Andrew DeWit, professor de Política Energética da Universidade Rikkyo de Tóquio. – Isso exige equipamentos como transformadores, que são bastante caros e feitos sob medida.

 

Por O GLOBO