Testemunha de chacina em Colniza relata medo de depor após atentado

Uma das testemunhas da chacina de nove trabalhadores na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, confessou ter medo de depor sobre o caso após ameças e ataques contra outras testemunhas. Neste mês, o caso completa um ano e até agora o mandante do crime não foi preso.

“A situação está muito difícil. Buscaram ele lá em Taquaruçu, garantindo segurança para ele. Deixaram ele sozinho numa fazenda e foram alguém tentar matar ele lá”.

A fala é da testemunha e consta numa gravação encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE). Ela diz que não quer depor para não ficar na mesma situação de um amigo, que não estaria sendo protegido pelas autoridades.

Em outra mensagem ao órgão, a testemunha volta a falar do medo. “Mataram nove amigos meus. E agora, estão tentando me matar a qualquer preço. Aí fica difícil”.

Quase um ano depois da chacina, a Justiça depende destes depoimentos para dar continuidade ao processo criminal e para saber se os envolvidos vão a júri popular.

“Como existe uma testemunha ocular é imprescindível par a acusação para provar a narrativa dos fatos colocada na denúncia”, afirmou Willian Oguido Ogama, promotor de Justiça.

Três dos quatro executores estão presos. A polícia busca ainda um quarto envolvido e o mandante do crime. Valdecir João de Souza, conhecido como Polaco Marceneiro, é um empresário do ramo madereiro da região.

Ele já teve a prisão decretada e é considerado foragido. Recentemente, o STJ negou um habeas corpus impetrado pela defesa dele. Por meio dos advogados, ele nega a acusação.

Chacina em Colniza

Em abril de 2017, nove trabalhadores foram assassinados. A chacina vitimou homens com idade entre 23 e 57 anos. Eles estavam em barracos erguidos na gleba quando foram rendidos, torturados e mortos.

A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. A intenção do mandante do crime era assustar os moradores e expulsá-los das terras, para que ele pudesse, futuramente, ocupá-las.

O MP-MT denunciou cinco pessoas por participação na morte dos trabalhadores. A primeira audiência de instrução sobre o massacre ocorreu no dia 27 de novembro. O julgamento deve ocorrer este ano.

Foram mortos:

Izaul Brito dos Santos, de 50 anos

Ezequias Santos de Oliveira, 26 anos

Samuel Antônio da Cunha, 23 anos

Francisco Chaves da Silva, 56 anos

Aldo Aparecido Carlini, de 50 anos

Edson Alves Antunes, 32 anos

Valmir Rangeu do Nascimento, 55 anos

Fábio Rodrigues dos Santos, de 37 anos

Sebastião Ferreira de Souza, de 57 anos.

A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. Com a morte das vítimas, a intenção do mandante era assustar os moradores e expulsá-los das terras, para que ele pudesse, futuramente, ocupá-las. No dia do atentado, os acusados foram reconhecidos pelas testemunhas, conforme o MP.

 

Por G1-MT