Vacinas podem trazer ganhos para duas moedas da América Latina

As vacinas contra a Covid-19 podem mudar a sorte de duas moedas latino-americanas.

Os pesos mexicano e chileno estão na pole position para se recuperarem quando as vacinas forem finalmente distribuídas, segundo estudo da Bloomberg com 12 moedas de mercados emergentes, que mediu as taxas de lockdown na pandemia em relação à cobertura de vacinas e valuations relativos.

No geral, as moedas latino-americanas foram atingidas pela pandemia, e o enfraquecimento gradual do dólar desde março não conseguiu reverter o impacto.

Agora, Chile e México garantiram mais vacinas do que seus pares de mercados emergentes, após imporem algumas das medidas de lockdown mais rígidas. Esse cenário aumenta o otimismo de retomada da economia.

“A América Latina está em uma boa posição, porque a reabertura acabou de começar e há mais pela frente”, disse Pierre-Yves Bareau, que administra mais de US$ 49 bilhões como diretor de investimentos para dívidas de mercados emergentes na JPMorgan Asset Management, em Londres. “O impacto da vacina também é mais importante em comparação com mercados que combateram melhor o vírus, como a Ásia.”

O Chile aprovou o uso da vacina Pfizer-BioNTech na semana passada e deve começar a administrar as doses nos próximos dias. O México vai iniciar a vacinação na quinta-feira, disse o vice-ministro da Saúde, Hugo López-Gatell.

Ainda assim, não há garantia de quão rápido todas as vacinas chegarão, sua eficácia ou mesmo se algumas de fato serão comercializadas após testes rigorosos. Além disso, alguns países podem ter dificuldade em cumprir as condições exigidas para distribuir as doses.

Os ganhos do peso mexicano também podem ser limitados depois do recente rali, que deixou a moeda com valuation neutro, com uma taxa de câmbio real efetiva de 0,4% acima da média de cinco anos. O peso chileno acumula baixa de 5,6%.

Enquanto as moedas do México e do Chile se destacaram na análise de Bloomberg, o desempenho do ringgit da Malásia pode ser afetado, pois o país do Sudeste Asiático adquiriu comparativamente menos doses de vacinas

O estudo também identificou algumas claras exceções. Embora a República Tcheca tenha encomendado o maior número de doses como porcentagem da população, as restrições relativamente mais flexíveis e a taxa de câmbio real efetiva supervalorizada tornam menos provável que a coroa mostre desempenho superior. A China ocupa o último lugar em termos de distribuição de doses devido à falta de informações sobre as vacinas domésticas.

por Vitória Fernandes